Mateus inicia o relato acerca no ministério público de Jesus nos dizendo que ele percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo (Mateus 4.23).
Sua aparição veio acompanhada de muitas curas e milagres, embora tenhamos somente alguns os relatos apresentados de forma mais detalhada nos evangelhos. Podemos chamar de “amostras” de vários casos diferentes, como lepra, paralisia, cegueira, expulsão de demônios, etc.
Mateus afirma que Jesus curou “todas as doenças e enfermidades” das pessoas, mas não as relata uma a uma. Outro evangelista, João, afirma que Jesus havia operado outros sinais que também não se encontravam em seu evangelho.
Neste estudo iremos focar somente em alguns destes milagres, e tentar entender qual importância tiveram no ministério público de Jesus.
Por que Jesus operou milagres?
Esta é a primeira questão de todas. Havia alguma razão especial para Jesus operar milagres?
Os quatro evangelistas estão plenamente de acordo de que Jesus não só operou milagres, mas que os realizou muitas vezes. Nem sempre os relatos são idênticos, como também milagres de tipos diferentes são mostrados, variação que fica mais acentuada ainda entre os sinóticos e o evangelho joanino. Porém, quanto mais os estudamos, mais persuadidos ficamos de que os milagres ocorreram porque eram necessários.
No início do ministério público de Jesus, Mateus lembra uma profecia de Isaías que descreve a triste situação espiritual do povo “que estava sentado em trevas viu uma grande luz; sim, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz raiou” (Mateus 4.16; cf. Isaias 9.2).
Temos a impressão que estas trevas imergiram o povo em todo tipo de infortúnio, inclusive enfermidades e possessões, pois as referências aos casos de cura e expulsão de demônios por Jesus são frequentes. Sem que o soubessem, eles estavam espiritualmente sentados em trevas e na região da sombra da morte.
Estas coisas não passariam jamais desapercebidas por Jesus. Houve uma motivação baseada em sua misericórdia, sem dúvida, e o desejo de aliviar a carga de sofrimento das pessoas.
Mas os milagres de Jesus possuem outros propósitos também, já que cumprem as Escrituras e nos fornecem uma revelação maior a respeito de Jesus.
Os milagres de Jesus realmente nos mostram muito a respeito de sua pessoa, e os evangelistas se esforçam para nos mostrar isto. Mateus, por exemplo, seleciona milagres de tipos diferentes, para mostrar que Jesus possui autoridade sobre todas as forças conhecidas. Quando Ele acalma a tempestade, prova ter poder sobre as forças da natureza, e quando expulsa demônios, demonstra ter autoridade sobre o mundo espiritual.
Neste estudo iremos focar em alguns milagres que nos mostram exatamente isso, isto é, a misericórdia de Jesus, e o que os milagres nos revelam mais acerca de sua pessoa.
Eu quero, sê limpo
Não por acaso, um dos primeiros relatos de cura descrito nos evangelhos é o de um leproso (Mateus 8.2-5; Marcos 1.40-45; Lucas 5.12-14), ocasião a qual Jesus expressa de forma clara o seu desejo de curar aquele homem.
A cena toda é tocante. Conforme descreve Lucas, o homem aproxima-se de Jesus e prostra-se com o rosto em terra, pedindo humildemente “se quiseres, bem podes tornar-me limpo”. Jesus estende a mão e toca-lhe dizendo: “eu quero, sê limpo”. Marcos acrescenta o detalhe de que Jesus havia feito aquilo “movido de íntima compaixão”.
A passagem é tão curta, que sem uma leitura cuidadosa passaria despercebida, quase que como uma nota de rodapé. Com poucas palavras nos mostra a intensa compaixão que Jesus sentiu pelo sofrimento dos irremediavelmente desfavorecidos.
De todas as enfermidades relatadas na Bíblia, a lepra é que a causa maior sofrimento ao ser humano. Além do físico, há um terrível sofrimento psicológico, causado pela separação do indivíduo infectado do convívio social. A humilhação era tremenda! Os leprosos eram considerados impuros cerimonialmente, e só poderiam habitar em lugares habitados por outros leprosos. Quando passavam por algum lugar habitado eram forçados a gritar “Imundo! Imundo!” a fim de alertar as demais pessoas que ali se encontrava alguém que não podia ser tocado. Alguém se tornaria impuro cerimonialmente se simplesmente tocasse em um leproso.
Uma fé muito grande deve ter impulsionado aquele homem a ir a Jesus. “Se quiseres” foi o seu pedido singelo, apenas isso, porque ele sabia que Jesus só precisava querer sua cura, e nada mais.
Foi um pedido simples, porém intenso, vindo de um coração quebrantado.
O que Jesus faz a seguir, porém, é inimaginável, já que o leproso não poderia ser tocado. Ele estende a sua mão, toca-o e lhe diz “eu quero, sê limpo!”.
Qualquer outra pessoa que assim fizesse se tornaria impura cerimonialmente, mas não Jesus. Ele não se tornou impuro por tocar no leproso, ao contrário, o leproso é que se tornou puro.
Mas o ponto mais importante aqui é que Jesus expressou seu desejo de curar aquele homem! Esta passagem mostra que Ele realiza milagres não somente porque pode, mas porque quer.
Os evangelhos não apresentam um Messias estóico e indiferente ao sofrimento humano, ao contrário, o retratam intimamente compadecido com a situação das pessoas com as quais se depara.
Embora não encontremos de forma tão acentuada este marcante “eu quero” como expressão da bondade de Jesus nos outros relatos de cura, não devemos supor que não estivesse presente.
Este pequeno relato deve servir para nos lembrar da situação na qual nos encontrávamos antes de conhecer Jesus. Éramos repugnantes em nosso estado pecaminoso quando Ele nos tocou dizendo “eu quero que você seja limpo”.
Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta
Entre os relatos de cura encontrados nos evangelhos, há a citação, uma vez mais, do profeta Isaías: “Caída a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele com a sua palavra expulsou os espíritos, e curou todos os enfermos; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças” (Mateus 8.16-17 cf Isaias 53.4).
As curas realizadas por Jesus, além de ser um ato de compaixão como já dissemos, elas também cumprem as Escrituras. E o sentido do cumprimento citado por Mateus liga as curas que ocorreram durante o ministério público de Jesus à sua obra expiatória na cruz.
Na cruz, Jesus não apenas resolveu o problema do pecado, como também dos efeitos do pecado, entre os quais as enfermidades. Ali ocorreu a provisão divina para aquelas curas, e para todas as demais que têm sido operadas após a ressurreição de Cristo.
Talvez o ponto que cause alguma dificuldade seja o fato de que ainda que Deus nos cure, nossos corpos parecem estar irremediavelmente fadados à fraqueza e a morte física. Aliás, crentes ficam enfermos e morrem fisicamente.
Devemos lembrar que a obra expiatória aponta principalmente para o futuro, isto é, para o dia no qual nossos corpos serão revestidos de incorrupção e imortalidade (1º Coríntios 15.53-54). Ali não haverá mais dor, nem pranto, nem enfermidade e nem morte. João afirma que seremos semelhantes a Ele (1º João 3.2), isto é, teremos um corpo glorificado como o corpo de Jesus, não mais sujeito às fraquezas das quais estamos sujeitos agora.
Mateus cita a passagem de Isaías como cumprimento de algo que já começou, que é uma das consequências da obra expiatória de Jesus, como a cura das enfermidades; mas esta citação não contradiz seu cumprimento a ser levado de forma plena no futuro, por ocasião da ressurreição.
O fato é que a dinâmica do Reino de Deus se opera em dois tempos: o presente e o futuro. O “Reino é chegado” (Mateus 4.17; 12.28); mas sua vinda ainda está para se consumar (Marcos 10.15).
As curas, portanto, podem ser esperadas para o tempo presente como cumprimento das Escrituras (Lucas 9.1-6; João 14.12); mas a redenção completa do nosso corpo não mais sujeito às enfermidades ainda está para acontecer (Romanos 8.3).
Nunca se ouviu de alguém que tenha aberto os olhos de um cego de nascença
Além da passagem de Isaías que mencionamos acima, o fato é que os milagres de Jesus aconteceram em cumprimento a muitas outras escrituras, algumas vezes de forma realmente espantosa.
Embora Jesus tivesse realizado muitos e maravilhosos milagres, a grande maioria do povo ainda o identificava mais como um profeta do que como o seu esperado Messias (Mateus 16.13-14; Lucas 7.16; 14.19).
Eles erravam por vários motivos. Erravam por desconhecer as Escrituras (Mateus 22.29; Lucas 24.27; João 5.39); porque tinham um conceito errado acerca do Messias (João 12.34); ou por pura incredulidade (João 12.37).
Apesar de tudo, ainda lhes foram dados mais alguns sinais que, tivessem sido corretamente interpretados, lhes forneceriam uma ideia mais exata acerca da pessoa de Jesus.
Um importante sinal aconteceu quando Jesus deu visão a um cego de nascença (João 9). Embora fosse mais um milagre, entre os tantos que Jesus vinha realizando, este possui algumas características que o colocam à parte.
No Antigo Testamento, abrir os olhos do cego é uma atribuição do próprio Deus (Salmo 146.8); e isso nos ajuda a compreender, além do fato de ter acontecido no dia de sábado, o porquê dos religiosos criarem tamanho alvoroço por causa deste milagre.
Em consonância com a ideia deste Salmo, o homem que havia sido cego faz uma das observações mais perspicazes da Bíblia a respeito de Jesus: desde o princípio do mundo nunca se ouviu de alguém que tenha aberto os olhos de um cego de nascença (João 9.32).
Nunca ninguém fizera uma coisa dessas, nem mesmo os profetas do Antigo Testamento.
Ao realizar este milagre Jesus cumpriu o que diz este Salmo a respeito de Deus: o Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor levanta os justos... (Salmo 146.8).
Onde a nossa Bíblia traduz por “Senhor", no original é “Jeovah": JEOVAH abre os olhos aos cegos!
Para as líderes religiosos, que conheciam as Escrituras mas não criam em Jesus, a operação deste milagre se tornou uma verdadeira pedra em seus sapatos.
A incredulidade deles, neste caso, assumiu sua forma mais vil, pois simplesmente não queriam crer no que estava diante de seus olhos. Não criam, não porque lhes faltasse provas, mas porque não queriam crer.
Por não ter sido corretamente compreendido e aceito pelos líderes religiosos, este sinal inverte a condição espiritual das pessoas envolvidas. Aquele que fora cego passa a ver, e aqueles que deveriam ver se tornam cegos (João 9.39).
Quem é este homem?
Nem todos os milagres ocorreram aos olhos do público. O primeiro, por exemplo, aconteceu em uma festa de casamento, e somente algumas poucas pessoas tomaram conhecimento (João 2.1-11).
Mas houve alguns milagres que o povo nem sequer tomou conhecimento; e aqui podemos incluir o milagre de acalmar a tempestade (Mateus 8.23-27; Marcos 4.35-41; Lucas 8.22-25).
Segundo o relato dos evangelhos Jesus dormia na popa do barco em que ele e os seus discípulos usavam para atravessar o mar da Galiléia quando uma grande tempestade se levantou. O que a fúria do mar não foi capaz, seus discípulos conseguem: eles despertam o Mestre, que parecia totalmente alheio a tudo aquilo.
Não sabemos o que os discípulos esperavam que Jesus fizesse naquele momento, mas o que quer que fosse não chegou sequer perto do que Ele fez: da mesma forma que qualquer pessoa daria a bronca em um cachorrinho, Ele se levanta e repreende a tempestade, ordenando que o mar e a vento se acalmem; ao que segue uma “grande bonança”.
Aquilo os pegou de surpresa. “Quem é este homem", perguntaram pasmados, olhando um para o outro, “que até mesmo o vento e o mar lhe obedecem?”.
"Quem é este homem” é uma questão tão além da capacidade humana de fornecer uma explicação adequada que os próprios autores dos evangelhos não ousam responder. A pergunta paira no ar aguardando uma resposta que só Deus pode dar. Mais adiante falaremos sobre isso.
Como já dissemos, houve alguns milagres que Jesus realizou que os separou dos demais homens, mesmo dos mais usados profetas do Antigo Testamento.
Até então os discípulos haviam contemplado sinais que colocariam Jesus na categoria de um grande profeta. Mas quando acalma a tempestade, Jesus se distancia dos profetas, porque age em uma área de domínio do próprio Deus, que são as forças da natureza:
Os que descem ao mar em navios, os que fazem comércio nas grandes águas, esses vêem as obras do Senhor, e as suas maravilhas no abismo. Pois ele manda, e faz levantar o vento tempestuoso, que eleva as ondas do mar. Eles sobem ao céu, descem ao abismo; esvaece-lhes a alma de aflição. Balançam e cambaleiam como ébrios, e perdem todo o tino. Então clamam ao Senhor na sua tribulação, e ele os livra das suas angústias. Faz cessar a tormenta, de modo que se acalmam as ondas. (Salmo 107.23-29).
É certo que houve profetas que fizeram milagres relacionados à natureza, como Elias, que orou para que não chovesse, e não choveu durante três anos e meio, e depois orou para que Deus enviasse a chuva, e Deus a enviou.
No caso de Jesus acalmando a tempestade, porém, o que chama a atenção é a forma como Jesus age. É a sua palavra de autoridade que chama a atenção dos discípulos – “quem é este homem que até mesmo o vento e o mar lhe obedecem?”. Elias e os demais profetas jamais agiriam assim, simplesmente dando ordem às forças que regem o universo.
O Filho de Deus
A medida que andam com Jesus e presenciam seus feitos e autoridade, os discípulos recebem subsídios para formar uma opinião mais acertada a respeito da pessoa de Jesus, e assim terem uma resposta para a pergunta que haviam feito (Mateus 16.15-16; João 20.28).
O milagre de Jesus andar sobre as águas é outro sinal que foi visto somente por um grupo pequeno de pessoas, seus discípulos, e que os ajudou a encontrar a resposta à pergunta “quem é este homem?”.
Sua importância é destacada pelo fato de constar em dois evangelhos sinóticos e no evangelho de João (Mateus 14.24-33; Marcos 6.45-52; João 6.16-21).
Neste milagre Jesus não opera como nos demais, precisando impor as mãos ou ordenar algo. Aqui ele simplesmente age de forma sobrenatural.
Andar sobre as águas foi uma surpresa ainda maior para os discípulos do que o acalmar a tempestade. Naquela noite, em meio às águas turbulentas, eles poderiam esperar qualquer coisa, inclusive um fantasma (Marcos 6.49) – menos ver Jesus andando nas águas como se a força da gravidade simplesmente não atuasse sobre o seu corpo.
O evangelista Marcos acrescenta ao seu relato a reação de temor e espanto dos discípulos dizendo que eles “ficaram no seu íntimo grandemente pasmados” (Marcos 6.51). E quem não ficaria?
Neste milagre, também diferente dos demais, Jesus se comporta de forma sobrenatural, e entra novamente no campo de ação exclusiva de Deus:
"A voz do Senhor ouve-se sobre as muitas águas; o Deus da glória troveja; o Senhor está sobre as muitas águas” (Salmo 29.3)
Não por mera coincidência, este milagre ocorre em circunstâncias parecidas com o milagre no qual Ele acalma a tempestade, com a diferença de que neste Jesus se encontrava fora do barco. Definitivamente Jesus não precisa de barcos, e Ele só entra no nosso porque nós o precisamos.
Esta revelação que os discípulos estavam tendo sobre a pessoa de Jesus é maior do que primeira, e lhes forneceu a base que precisavam para responder, eles mesmos, a pergunta que haviam feito – “quem é este homem?”.
"Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: verdadeiramente Tu é o Filho de Deus” (Mateus 14.32).
Esta é a resposta.
Eu sou a ressurreição e a vida
Como vimos acima, os discípulos respondem a pergunta “quem é este homem?” que eles haviam feito a respeito de Jesus.
Mas Jesus também a responde por meio de enfáticas declarações a respeito de si mesmo:
"Eu sou o pão da vida” (João 6.35)
"Eu sou a luz do mundo” (João 8.12)
"Eu Sou” (João 8.24,28,58; 13.19)
"Eu sou a porta” (João 10.7,9)
"Eu sou o bom pastor” (João 10.11,14)
"Eu sou a ressurreição e a vida” (João 11.25)
"Eu sou o caminho, a verdade, e a vida” (João 14.6)
"Eu sou a videira verdadeira” (João 15.1)
O milagre em que ressuscita seu amigo Lázaro, da cidade de Betânia, tem a ver com um destes “Eu sou” de Jesus.
Para compreendermos a razão deste milagre, isto é, porque Jesus espera para ressuscitar Lázaro após quatro dias, e não antes, precisamos entender um pouco do pensamento daquele povo. Na época de Jesus, os judeus criam que o espírito do defunto permanecia perto do corpo nos três primeiros dias. No quarto acreditavam que o espírito ia embora definitivamente.
Portanto, ao operar este milagre, Jesus não apenas ressuscita um morto, como ele já havia feito antes, mas vai além, realizando um milagre que parecia ir além do impossível em virtude do tempo decorrido.
Mas independentemente do que pensavam, ressuscitar alguém nas condições de Lázaro, naquele já avançado estado de decomposição, é, realmente, algo além do esperado até mesmo para nós.
Há algo nestes acontecimentos que tem muito a ver com o que Jesus havia afirmado em outras ocasiões a respeito de si mesmo:
Pois, assim como o Pai levanta os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem ele quer...
...em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão...
...não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão...
(João 5.21,24,28)
A ressurreição de Lázaro é, por assim dizer, a prova da veracidade destas afirmações.
Jesus declara a Marta, momentos antes de ressuscitar Lázaro, que Ele é “a Ressurreição e a Vida”.
É verdade que os judeus da seita dos fariseus já criam na ressurreição, e ensinavam-na como doutrina. O que Jesus mostra, porém, é que a ressurreição não é uma simples doutrina, mas algo que tem a ver com a sua própria pessoa. Jesus é a própria ressurreição. Ele é a própria vida. Uma doutrina não salva ninguém do poder da morte; somente o Filho de Deus, aquele que venceu a morte, pode fazer isso.
E se a cura do cego de nascença causou embaraço às autoridades religiosas de Jerusalém, este sinal, então, os deixou além de furiosos. Um sinédrio foi convocado, e uma sinistra questão é lançada aos presentes: “que faremos? porquanto este homem vem operando muitos sinais” (João 11.47).
Sim, o que eles podiam fazer, já que Jesus os estava desmascarando por meio de sinais cada vez maiores?
"Desde aquele dia, pois, tomavam conselho para o matarem” (João 11.53).
Reflita agora um pouco na contradição em que aqueles homens estavam caindo:
Eles queriam matar alguém que acabara de provar que tinha total poder sobre a morte!
Pior que isso, eles queriam matar alguém que acabara de dar provas irrefutáveis de ser o próprio Filho de Deus!
Para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus
Quase no final do seu evangelho, João explica porque ele havia selecionado aqueles milagres: “Jesus, na verdade, operou na presença de seus discípulos ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste livro; estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20.30-31).
Jesus realizou muitos outros milagres que não foram registrados, e poderia ter feito muito mais ainda se achasse necessário, já que o seu poder é ilimitado. Aqueles, no entanto, foram selecionados para que fosse cumprido um propósito em nossas vidas.
"Para que creiais", diz o apóstolo, “que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”. Sim, para que creiamos, porque os milagres não são apenas para os que os recebem, mas para nós, para nos servir de testemunho, a fim de que a nossa fé seja fortalecida no Filho de Deus.
De todos os milagres que Jesus operou, o maior de todos foi reservado a nós, que cremos no seu nome: a vida eterna.
Ele nos dá vida, aqui e agora, vida abundante; e no povir, a vida eterna.
Nem todos que creram foram curados de lepra, ou cegueira, ou ressuscitados dos mortos. Porém, no sentido espiritual, receberam uma cura muito maior.
De certa forma estes males representam o que o pecado fazia em nossas vidas: éramos como leprosos em nossos membros espirituais e a nossa vida era uma ruína total. Como leprosos nos encontrávamos impuros cerimonialmente, e por isso, excluídos da comunhão do corpo de Cristo.
Éramos também cegos, e não podíamos enxergar a Verdade e nem mesmo a triste condição na qual nos encontrávamos. Não compreendíamos as coisas espirituais, o príncipe deste século havia nos cegado o entendimento para que não víssemos o resplendor da luz do evangelho da glória de Cristo (2º Coríntios 4.4).
E por fim também estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2.1). No sentido espiritual tínhamos todos aqueles males, e também fomos curados por Jesus de todos eles.
Quando Jesus nos salvou Ele nos purificou de todo o pecado (1 João 1.9); abriu os olhos do nosso coração para que pudéssemos enxergar (Efésios 1.18); e nos deu vida (João 10.10).
A regeneração ou novo nascimento que o Espírito Santo opera na vida de um homem, embora invisível, é o maior de todos os milagres, porque o conduz à vida eterna.
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