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Família Cristão - Princípios Básicos

Vamos falar neste estudo de alguns princípios importantes do Novo Testamento para o casamento e família.
Antes, porém, de entrarmos nos ensinos, estaremos mostrando a importância do assunto Família sob o ponto de vista histórico da Bíblia.
A extensão da tarefa nos obriga a limitar esta parte ao livro de Gênesis, mas é certo que em quase toda Bíblia você irá encontrar passagens sobre o tema.
A História da Família, em Gênesis.
A história da redenção é uma história que tem tudo a ver com a família. Lendo a Bíblia facilmente percebemos que o pano de fundo onde tudo começa e se desenvolve é a familia.
Essa história começa com um casal que fracassa e traz queda a humanidade, fazendo a família mergulhar em crise, logo no início da sua formação. O primeiro homicídio acontece dentro desta mesma familia, entre irmãos.
As famílias vão surgindo (Gn 5) e um quadro nos é apresentado onde os valores familiares são distorcidos rapidamente (Gn 4.23-24).
Os fracassos humanos são balanceados por iniciativas positivas, embora estas sejam apresentadas quase que como uma nota de rodapé. Dentre as famílias, uma linhagem, pelo menos, a de Enos, “começou a invocar o nome do Senhor” (Gn 4.26).
No total, porém, a humanidade se corrompe, e o problema também nos é apresentado em uma linguagem que evoca a família: “viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram” (Gn 6.2).
Quando Deus decide destruir o mundo antigo por meio de um dilúvio, Ele providencia para que uma família seja salva: Noé, sua esposa, filhos e noras – 8 pessoas ao todo, em duas gerações.
Mesmo após o dilúvio, e dentro desta mesma família escolhida por Deus, as crises prosseguem. A ironia é que mal saíram da arca, Noé se embriaga, fica nú e seu filho Cão olha para a sua nudez.
Este evento redundará em maldição sobre o filho de Cão, Canaã, o pai de toda uma nova linhagem humana, os cananeus.
Novas famílias e linhagens surgem sobre a terra (Gn 10), e as pessoas se afastam novamente de Deus (Gn 11.1-8).
Dentre estas famílias, uma é preservada a partir da linhagem de Sem, indo deste até Terá (Gn 11.10-28).

Deus decide formar uma nova linhagem a partir do filho de Terá, Abrão, chamado com a idade de setenta e cinco anos, e casado com uma mulher estéril chamada Sarai. O nome de ambos é mencionado para fazer com que o leitor nunca perca de vista o pano de fundo da história bíblica: a família.
A chamada também tem a ver com a família. Neste caso um rompimento, porque Abrão se tornaria o Pai de uma nova linhagem – “sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12.1).
O próprio nome Abrão – “Pai exaltado” – é um nome relacionado à família. Posteriormente Deus irá mudar este nome para outro mais relacionado à família ainda, Abraão, que significa "Pai de multidões".
Deus faz promessas a Abraão, com vistas à família. Promete-lhe que “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3) e, posteriormente, apontando-lhe o céu repleto de estrelas lhe diz que “assim será a tua descendência” (Gn 15.5).
A história de Abraão não podia ter um tom mais familiar. Ele tem o desejo de ter filhos, mas sua esposa é estéril. Sara lhe dá sua serva por esposa, para que Abraão possa ter um filho por meio dela, e aí começa uma nova crise de família.
Para não nos determos demasiado em Abraão, podemos falar um pouco dos seus descendentes. A história de Gênesis prossegue com histórias de famílias, sempre acompanhada de algum tipo de crise; por vezes uma persistente esterilidade (em Sara, Rebeca e Raquel); e por vezes conflitos abertos.
Esaú vende o seu direito de primogenitura ao seu irmão mais novo, Jacó; que por sua vez engana a seu pai, Isaque, com a ajuda da mãe, e recebe a benção que seu pai queria dar ao mais velho.
Talvez a maior lavação de roupa suja da Bíblia esteja no capítulo 30 de Gênesis. Raquel e Lia, por conta das suas crises no casamento, vão ao extremo em suas disputas. Uma porque não podia ter filhos, e a outra porque não se sentia amada.
Mas outras crises ainda estavam por vir. Gênesis 37 retrata a situação entre os doze patriarcas, filhos de Jacó, os homens que darão origem às doze tribos de Israel: inveja, ódio, planos para matar o irmão, e engano.
O lado positivo destas histórias é que eles mostram igualmente a reconciliação na maior parte dos casos. Jacó se reconcilia com seu irmão Esaú em um dos capítulos mais dramáticos da Bíblia (Gn 32), e José se reconcilia com os seus em outro capítulo igualmente dramático (Gn 43).
Além do mais, fica claro que o grande protagonista da história é Deus, que mantém todo o controle da situação, apesar de todas as falhas humanas.
Abraão erra inúmeras vezes, mas o plano de Deus se cumpre em sua vida.
Jacó parece errar mais ainda que o seu avô, e sua vida é dez vezes mais atribulada também. Mas de igual modo o plano de Deus se cumpre em sua vida de forma perfeita.
Talvez o maior de todos os erros em família seja também o que dá o maior tom à presença da soberania divina em todos estes eventos. Os irmãos de José o vendem como escravo, e têm-no como morto. Mas os planos de Deus se cumprem fielmente em todas estas situações erráticas, por assim dizer. José irá comentar sobre a soberania de Deus em todos os acontecimentos vividos por ele de forma brilhante – “Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida” (Gn 50.20).
O homem é um ser familiar
A primeira observação a ser feita a respeito da criação do homem é que ele é um ser essencialmente “familiar”. Ele foi feito para isso. “Macho e fêmea os criou”, diz Gênesis (Gn 1.27).
“Sejam frutíferos, multipliquem-se”, isto é, constituam famílias e façam filhos para povoar a terra. E Deus dotou a humanidade de sexos opostos exatamente para realizar esta tarefa.
Neste ponto homens e anjos são radicalmente diferentes. Anjos não nascem, não se casam, não constituem família e não têm pais biológicos como nós. Foram criados um a um, ou, como preferem alguns teólogos, em batalhões.
No caso do homem, Deus criou toda a humanidade, bilhões e bilhões de pessoas, por meio de um único casal.
E por causa do sexo “nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor” (1 Co 11.11).


Um homem e uma mulher
Um pouco mais adiante, o livro de Gênesis explora um pouco mais o assunto da “sexualidade”. Deus entende que “não é bom que o homem esteja só”, e cria a mulher (Gn 2.18).
Este é um princípio estabelecido por Deus, e não pode ser quebrado: um homem, e uma mulher.
Não um homem e outro homem.
Nem uma mulher com outra mulher.
E nem um homem e duas mulheres.
Vou repetir o princípio: UM HOMEM E UMA MULHER.
O casamento resulta deste princípio, e precisa ser necessariamente, a união de um homem e uma mulher.
Os que desejam mudar isso estão se opondo a uma regra estabelecida pelo próprio Deus.
O casamento é uma instituição divina.
O texto de Gênesis nos diz que Deus trouxe a mulher ao homem, e nos dá a seguinte explicação: “portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão uma só carne” (Gn 2.24).
Nos evangelhos, Jesus usa a expressão “e unir-se-á a sua mulher” para se referir ao casamento (Mt 19.5; Mc 10.8).
Portanto, a primeira união entre um homem e uma mulher, feita por Deus, também foi o primeiro casamento.
Isto significa que o Casamento é uma instituição criada por Deus.
O sexo ilícito
Vamos usar novamente o texto de Gn 2.24, e dar um foco no final deste versículo: “e unir-se-á a sua mulher, e serão uma só carne”.
Vimos nos parágrafos anteriores que a expressão se refere ao casamento.
Porém Paulo usa esta mesma expressão para se referir a uma relação sexual ilícita:
Ou não sabeis que aquele que se une a uma meretriz se torna uma carne com ela?
Porque está escrito, os dois serão uma só carne
(1 Co 6.16)
Inevitavelmente, esta união cria uma espécie de vínculo entre um homem e uma mulher, isto é, “e serão uma só carne”. Isto é um princípio, portanto, que se aplica tanto a casados como a não casados.
A Bíblia reprova o sexo fora do casamento, e se fôssemos nos deter neste assunto, teríamos que criar um longo estudo só para falar sobre isso.
Vou apenas citar três passagens que considero importantes, e pedir para que você medite nelas:
Bem aventurados os limpos de coração,
porque eles verão a Deus
(Mt 5.8)
Venerado seja entre vós o matrimônio e o leito sem mácula.
Quanto aos impuros e adúlteros – Deus os julgará
(Hb 13.4)
Mas a prostituição, e toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos
(Ef 5.3)
O Casamento cria um vínculo entre o homem e a mulher
São dois em uma só carne (Gn 2.24) e “portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mc 10.9).
Jesus usou este trecho de Gênesis para refutar a idéia de que uma carta de divórcio pudesse por fim a união matrimonial.
O Senhor deixou uma pequena ressalva para contornar um problema que sabemos que pode ocorrer em um casamento – “a não ser por causa de infidelidade” (Mt 19.9).
Esta é uma exeção para casos extremos, quando não há mais jeito mesmo. A regra geral, porém, é que o casamento é uma união para toda a vida.


O Casamento cria uma unidade entre o homem e a mulher
Já comentamos um pouco sobre isso, acima, mas vamos olhar agora sob outra perspectiva.
Vamos pensar neste princípio por meio da ilustração usada em Gênesis, quando Deus retira uma costela de Adão e forma a Mulher.
Ao lhe ser apresentada Eva, Adão reage usando estas palavras: “esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne”.
Esta expressão significa que Adão reconheceu em Eva uma parte essencial de seu próprio ser. “Ela é uma parte de mim”, seria a tradução da ideia por trás destas palavras.
O princípio que resulta disto é que o casamento gera uma unidade entre duas pessoas. Isto é algo muito mais radical do que o conceito geralmente aceito de que as pessoas apenas se completam no casamento.
Da unidade, resulta que o casal deve:
1)     Falar a mesma coisa. A palavra do casal deve ser unânime. As coisas não vão bem quando um contraria ou desmente o que o outro diz. Inclusive com relação aos filhos, os pais precisam ser unânimes naquilo que lhes falarem.
2)     Tomar decisões de forma conjunta. Devem se consultar, trocar idéias, e ceder muitas vezes.
3)     Se aceitar. Naturalmente que os gostos, os estilos, e os pensamentos poderão divergir muitas vezes. É necessário aceitação e acordo, e não imposição.
4)     Buscar a felicidade de forma conjunta. No casamento não há meio termo quando o assunto é ser feliz. Ou ambos são felizes, ou ambos infelizes.
5)     Enfim, caminhar juntos e na mesma direção.
Paulo aplica este princípio aos homens quando diz que “assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo” (Ef 5.28).
O Casamento é o um núcleo familiar
Independentemente de ter ou não filhos, um casal já forma uma família.
O casamento é mais do que um fim em si mesmo porque une o homem e a mulher em um laço de amor. Ele cumpre um importante propósito de Deus na criação da humanidade, que é o amor.
Em princípio o homem e mulher são capazes de gerar filhos, e a Bíblia diz que os filhos são a herança do Senhor (Sl 127.3). Mas sabemos que nem todos casais tem filhos – alguns por problema de infertilidade, e outros por outras razões.
Casamento Cristão
Há um capítulo na Bíblia que trata deste assunto – 1º Corintios, capítulo 7 – e estaremos tratando de alguns aspectos importantes a seguir.

1)     “Mútua benevolência” (v. 3-5). O casal não deve se abster de ter relações sexuais. “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher” (v.4).
A ausência de sexo em um casamento pode ser uma porta aberta para o inimigo. Paulo ensina que até mesmo a privação nesta área deve ser por múto consentimento, ter um motivo justo (oração), e mesmo assim por pouco tempo. “Ajuntai-vos depois, para que satanás não vos tente por causa da vossa incontinência” (v. 5). As igrejas estão cheias de caso de pessoas casadas que caíram porque um dos conjuges queria se santificar além da conta.
2)     Um pregador fez a seguinte observação. Na igreja, ele perguntou quem era casado. Para as pessoas que levantaram as mãos ele disse “a Bíblia diz para você continuar assim”. Depois perguntou quem era solteiro. Aos que levantaram as mãos ele disse “a Bíblia diz para você continuar assim”.
Bem colocado, porque em essencia é isto que diz o versículo 27: “Estás ligado à mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher”.
Aqui cabe uma pequena observação. Paulo coloca as coisas mais como uma permissão, do que como um mandamento. Ele prefere que os solteiros permaneçam como ele para serem poupados de tribulações (v. 28), e explica que quem se casa, não está pecando, e quem não se casa, também não está pecando.
Outros princípios do casamento cristão são explorados em trechos de outras epístolas.
3)     “Jugo desigual”. Um(a) crente em Cristo não deve se casar com um(a) descrente:
“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2Cr 6.14).
4)     “Sujeição”. As mulheres devem se sujeitar aos seus maridos como ao Senhor (Ef 5.22).
5)     “Amor”. Os maridos devem amar suas mulheres como Cristo amou a sua Igreja (Ef 5.25).
6)     “Fidelidade” (Hb 13.4). A infidelidade chama-se adultério, e fizemos um comentário sobre isso alguns parágrafos acima.
Relação entre Pais e Filhos
“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. Vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor” (Ef 6.1-4).
Vamos seguir a mesma sequencia que Paulo usou para tratar este assunto, e começar pela relação “filhos-pais”.
A primeira recomendação é “vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo”.

Paulo se dirige primeiramente aos filhos e lhes fala acerca da “obediência” devida aos seus pais. Este é um ensino da qual o mundo parece estar cada vez mais distante, e, infelizmente, muitos crentes também.
A palavra “obediência” nem sempre soa bem aos nossos ouvidos, porque implica em submeter-se a uma autoridade superior, e a fazer, muitas vezes, aquilo que não queremos.
A obediência tem realmente um lado difícil, porque limita a nossa vontade, a nossa liberdade, e muitas vezes, o nosso conforto. Mas tem um lado bom também, como iremos explicar a seguir.
A obediência é necessária para estabelecer a ordem e a autoridade, sem as quais nada funciona, nem mesmo uma família.
A primeira dose de obediência que recebemos é a que vem dos nossos pais, e nos prepara para a vida futura, quando estaremos sempre debaixo de alguma autoridade e sempre precisando obedecer alguém de alguma forma: aos professores na sala de aula; às autoridades civis do país; aqueles que são nossos superiores imediatos no trabalho; aos pastores na Casa de Deus; e, sobretudo, a Palavra de Deus.
A obediência também produz em nós um efeito positivo, porque molda o nosso caráter. Nos torna mais humildes. Faz com que sejamos pessoas mais acessíveis, menos arrogantes, e mais tratáveis, por assim dizer.
Ocasionalmente temos que lidar com pessoas “difíceis”, isto é, pessoas que se ofendem por qualquer coisa, e com as quais precisamos escolher cada palavra e o tom da voz cada vez que nos aproximamos delas.
São pessoas com sérios problemas nesta área; ou porque seus pais negligenciaram o uso de autoridade, ou porque desde a infância “aprenderam” a desafiá-los e desobedecê-los.
Aqui, porém, há uma questão importante: os filhos devem obedecer a seus pais em tudo? A obediência deve ser cega? Afinal de contas há pais que mandam que os filhos façam coisas erradas.
A resposta a esta questão está no próprio texto que citamos – "sede obedientes a vossos pais no Senhor".
Este mandamento se torna mais difícil quando os pais não são crentes, ou são crentes, mas não são convertidos, e criam situações que causam conflito com os valores espirituais de um jovem que deseja servir ao Senhor.
Já conheci pessoas que se diziam crentes e que ensinavam os filhos a arte da mentira e do engano.
O que Paulo ensina aos filhos é que eles devem obedecer aos pais no Senhor, nada menos, e nada mais que isso.
Apesar de toda a obediência que os filhos devem aos pais, a obediência a Deus vem em primeiro lugar, já que Deus está acima de qualquer outra autoridade.
Mas vamos entender que estes são casos extremos, que acontecem quando uma ordem de um pai ou mãe contraria a Palavra de Deus. São exceções, portanto. A regra básica continua sendo a “obediência”.

Levando-se em conta que muitos jovens cristãos moram com seus pais descrentes, e, que, algumas vezes a vontade de seus pais seja claramente contrária à vontade de Deus, gostaria de apontar uma passagem bíblica que pode lhes ajudar bastante.
Se encontra em Daniel 1.8-16. Daniel e seus amigos agem com sabedoria e humildade, e conseguem o favor do chefe dos eunucos para não se contaminarem com a porção de alimentos determinada pelo Rei.
Se algumas vezes se tornar difícil ou pesarosa a obediência, por se tratar de algo contrário as Escrituras, então peça graça e sabedoria em oração, porque Deus sempre tem uma porta de escape para situações como estas.
Paulo prossegue com uma argumentação que ele, como judeu, deve ter ouvido muito em sua infância: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa”.
A palavra “honrar” engloba “obedecer”, porém seu sentido é muito mais amplo.
Honrar implica em pagar ou tributar a alguém algo que lhe é devido. Honramos as pessoas que consideramos dignas, e em geral honramos as pessoas que estão acima de nós.
Na Bíblia este verbo é usado em relação a pessoas que estão revestidas de dignidade em virtude do que são, ou por causa de sua posição: reis, sacerdotes, profetas, etc... Mas este verbo se aplica também a Deus.
Ninguém merece mais honra do que o próprio Deus.
Nos tempos antigos a “honra” era feita de várias formas. Quando se tratava de um rei, por exemplo, geralmente se faziam as honrarias por meio de coisas de valor, como presentes ou dinheiro. Os magos do oriente honraram o recém-nascido Rei dos judeus com ouro, incenso e mirra.
Portanto, quando a Bíblia diz “honra a teu pai e a tua mãe” ela está nos ordenando a colocar os nossos pais em um alto lugar de estima e dignidade.
O fato de Paulo ter citado este mandamento como fundamentação da obediência significa que os filhos que obedecem seus pais estão honrando-os, e os que  não obedecem estão desonrando-os.
Somos lembrados também de que este “é o primeiro mandamento com promessa”.
Nem todos os mandamentos, quando tratados individualmente, possuem promessas. Este tem: promessa de uma vida melhor e mais longa.
É maravilhoso ver como Deus providenciou na sua Lei um mandamento que tinha como alvo tornar o ambiente familiar o melhor possível para todos; seja no presente, por meio dos filhos honrando e obedecendo seus pais; seja no futuro, por meio de promessas.
Após ter falado sobre a relação “filhos-pais”, Paulo fala da relação “pais-filhos”: “e vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4).

Paulo tinha em mente pais cristãos. No Antigo Testamento há diversas passagens que dizem que os pais devem criar os filhos no Caminho e no temor do Senhor (Gn 18.18; Pv 14.26), que Paulo chama de “doutrina” nesta passagem.
O interessante, porém, é que ele acrescenta algo antes da doutrina: “não provoqueis à ira a vossos filhos”.
Se para os filhos Paulo ensina a obediência, que nada mais é do que a submissão a uma autoridade; aos pais, ele ensina a não usar a autoridade erroneamente, isto é, de forma abusiva.
Acho que quando Paulo diz “não provoqueis à ira a vossos filhos” ele também está falando por experiência pessoal, digo, ou por algo que ele passou na infância, ou algo que ele presenciou em algum lar de conhecidos.
Toda educação e disciplina dentro de uma casa deve ser dosada com amor e compreensão. A ausência de disciplina causa descaso aos valores espirituais na pessoa, mas uma disciplina muito rígida ou abusiva causa repúdio e ódio a estes mesmos valores.
Há pessoas que foram criados em lares cristãos, e que hoje são completamente ateus: odeiam os crentes; odeiam a Bíblia; e mais que tudo, odeiam o próprio Deus.
Como você acha que eles chegaram a este ponto?
O melhor exemplo de educação paterna temos no próprio Deus.
Ele nos repreende e castiga quando pecamos, mas nos perdoa e não se lembra mais do nosso pecado quando nos arrependemos e confessamos.
Deus não fica o tempo todo a nos corrigir. Na verdade, e mais do que qualquer outra coisa, Ele está sempre nos fortalecendo com palavras de ânimo.
Deus é um pai que nos ouve sempre que falamos com Ele, com toda paciência, e toma nota de cada palavra, mesmo das que já nos esquecemos.
Ele é um pai que fala conosco de diversas formas, e fala sempre o que precisamos ouvir. O fato é que Deus nunca nos põe para baixo, e nem nos deixa sem esperança.
É desta forma que deveríamos ensinar os nossos filhos.
As experiências que os pais passarem aos filhos na infância, sejam positivas ou negativas, ficarão presentes até o final de suas vidas. Só como exemplo: nos lembramos com muito mais facilidade dos nomes dos nossos amigos de infância do que de outras pessoas com as quais nos relacionamos na fase adulta.
As marcas da infância são as que ficam, e infelizmente, nem todas são boas.
Educar é uma grande e árdua missão, e os pais que tem filhos adolescentes sabem isso mais do que ninguém.
Quando educamos estamos apontando o caminho que achamos ser melhor para os filhos; e estamos conduzindo-os porque eles dependem totalmente de nós neste momento.
Mas sabemos que os pais, mesmo crentes, são pessoas que erram. Desejam fazer o melhor, mas muitas vezes falham e acabam fazendo o pior.
Por vezes deixam passar, quando deveriam disciplinar, e em outros momentos disciplinam com muito rigor, quando somente uma pequena advertência bastaria. Não é fácil.
Paulo prossegue dizendo “criai-os na doutrina e admoestação do Senhor”.
A palavra “doutrina” vem de uma palavra grega que tem o sentido de “educação”. Criar alguém na doutrina do Senhor é educa-lo segundo os valores que nos ensinam a Bíblia, como verdade, amor, honestidade, pureza, santidade, humildade, fidelidade, etc..
A Bíblia deve ter um lugar especial na educação dos filhos. Nenhum outro livro no mundo possui valores tão elevados quanto a Palavra do nosso Deus.
Deixe-me aproveitar o momento para fazer este apelo: pais, ensinem os seus filhos e orar e a ler a Bíblia.
Aos filhos, Paulo ensina-os a obedecer aos pais no Senhor; e aos pais, ele ensina a criar os filhos na doutrina e admoestação do Senhor.

Deveríamos meditar nesta expressão, “doutrina e admoestação do Senhor”, com um enorme senso de dependência. Afinal Paulo não está falando de uma educação qualquer, ou mesmo humana no melhor sentido que existe, mas de algo divino – uma educação "do Senhor". 

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