Vamos falar
neste estudo de alguns princípios importantes do Novo Testamento para o
casamento e família.
Antes,
porém, de entrarmos nos ensinos, estaremos mostrando a importância do assunto
Família sob o ponto de vista histórico da Bíblia.
A extensão
da tarefa nos obriga a limitar esta parte ao livro de Gênesis, mas é certo que
em quase toda Bíblia você irá encontrar passagens sobre o tema.
A História da Família, em Gênesis.
A história
da redenção é uma história que tem tudo a ver com a família. Lendo a Bíblia
facilmente percebemos que o pano de fundo onde tudo começa e se desenvolve é a
familia.
Essa
história começa com um casal que fracassa e traz queda a humanidade, fazendo a
família mergulhar em crise, logo no início da sua formação. O primeiro
homicídio acontece dentro desta mesma familia, entre irmãos.
As famílias
vão surgindo (Gn 5) e um quadro nos é apresentado onde os valores familiares são
distorcidos rapidamente (Gn 4.23-24).
Os fracassos
humanos são balanceados por iniciativas positivas, embora estas sejam
apresentadas quase que como uma nota de rodapé. Dentre as famílias, uma
linhagem, pelo menos, a de Enos, “começou a invocar o nome do Senhor” (Gn
4.26).
No total, porém,
a humanidade se corrompe, e o problema também nos é apresentado em uma
linguagem que evoca a família: “viram os filhos de Deus que as filhas dos
homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”
(Gn 6.2).
Quando Deus
decide destruir o mundo antigo por meio de um dilúvio, Ele providencia para que
uma família seja salva: Noé, sua esposa, filhos e noras – 8 pessoas ao todo, em
duas gerações.
Mesmo após o
dilúvio, e dentro desta mesma família escolhida por Deus, as crises prosseguem.
A ironia é que mal saíram da arca, Noé se embriaga, fica nú e seu filho Cão
olha para a sua nudez.
Este evento
redundará em maldição sobre o filho de Cão, Canaã, o pai de toda uma nova
linhagem humana, os cananeus.
Novas
famílias e linhagens surgem sobre a terra (Gn 10), e as pessoas se afastam
novamente de Deus (Gn 11.1-8).
Dentre estas
famílias, uma é preservada a partir da linhagem de Sem, indo deste até Terá (Gn
11.10-28).
Deus decide
formar uma nova linhagem a partir do filho de Terá, Abrão, chamado com a idade
de setenta e cinco anos, e casado com uma mulher estéril chamada Sarai. O nome
de ambos é mencionado para fazer com que o leitor nunca perca de vista o pano
de fundo da história bíblica: a família.
A chamada
também tem a ver com a família. Neste caso um rompimento, porque Abrão se
tornaria o Pai de uma nova linhagem – “sai-te da tua terra, da tua parentela e
da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12.1).
O próprio
nome Abrão – “Pai exaltado” – é um nome relacionado à família. Posteriormente
Deus irá mudar este nome para outro mais relacionado à família ainda, Abraão,
que significa "Pai de multidões".
Deus faz
promessas a Abraão, com vistas à família. Promete-lhe que “em ti serão benditas
todas as famílias da terra” (Gn 12.3) e, posteriormente, apontando-lhe o céu
repleto de estrelas lhe diz que “assim será a tua descendência” (Gn 15.5).
A história
de Abraão não podia ter um tom mais familiar. Ele tem o desejo de ter filhos,
mas sua esposa é estéril. Sara lhe dá sua serva por esposa, para que Abraão
possa ter um filho por meio dela, e aí começa uma nova crise de família.
Para não nos
determos demasiado em Abraão, podemos falar um pouco dos seus descendentes. A
história de Gênesis prossegue com histórias de famílias, sempre acompanhada de
algum tipo de crise; por vezes uma persistente esterilidade (em Sara, Rebeca e
Raquel); e por vezes conflitos abertos.
Esaú vende o
seu direito de primogenitura ao seu irmão mais novo, Jacó; que por sua vez
engana a seu pai, Isaque, com a ajuda da mãe, e recebe a benção que seu pai
queria dar ao mais velho.
Talvez a
maior lavação de roupa suja da Bíblia esteja no capítulo 30 de Gênesis. Raquel
e Lia, por conta das suas crises no casamento, vão ao extremo em suas disputas.
Uma porque não podia ter filhos, e a outra porque não se sentia amada.
Mas outras
crises ainda estavam por vir. Gênesis 37 retrata a situação entre os doze
patriarcas, filhos de Jacó, os homens que darão origem às doze tribos de
Israel: inveja, ódio, planos para matar o irmão, e engano.
O lado
positivo destas histórias é que eles mostram igualmente a reconciliação na
maior parte dos casos. Jacó se reconcilia com seu irmão Esaú em um dos
capítulos mais dramáticos da Bíblia (Gn 32), e José se reconcilia com os seus
em outro capítulo igualmente dramático (Gn 43).
Além do
mais, fica claro que o grande protagonista da história é Deus, que mantém todo
o controle da situação, apesar de todas as falhas humanas.
Abraão erra
inúmeras vezes, mas o plano de Deus se cumpre em sua vida.
Jacó parece
errar mais ainda que o seu avô, e sua vida é dez vezes mais atribulada também.
Mas de igual modo o plano de Deus se cumpre em sua vida de forma perfeita.
Talvez o
maior de todos os erros em família seja também o que dá o maior tom à presença
da soberania divina em todos estes eventos. Os irmãos de José o vendem como
escravo, e têm-no como morto. Mas os planos de Deus se cumprem fielmente em
todas estas situações erráticas, por assim dizer. José irá comentar sobre a
soberania de Deus em todos os acontecimentos vividos por ele de forma brilhante
– “Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para
fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida” (Gn 50.20).
O homem é um ser familiar
A primeira observação a ser feita
a respeito da criação do homem é que ele é um ser essencialmente “familiar”.
Ele foi feito para isso. “Macho e fêmea os criou”, diz Gênesis (Gn 1.27).
“Sejam
frutíferos, multipliquem-se”, isto é, constituam famílias e façam filhos para
povoar a terra. E Deus dotou a humanidade de sexos opostos exatamente para
realizar esta tarefa.
Neste ponto
homens e anjos são radicalmente diferentes. Anjos não nascem, não se casam, não
constituem família e não têm pais biológicos como nós. Foram criados um a um,
ou, como preferem alguns teólogos, em batalhões.
No caso do
homem, Deus criou toda a humanidade, bilhões e bilhões de pessoas, por meio de
um único casal.
E por causa
do sexo “nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor” (1 Co
11.11).
Um homem e
uma mulher
Um pouco
mais adiante, o livro de Gênesis explora um pouco mais o assunto da “sexualidade”.
Deus entende que “não é bom que o homem esteja só”, e cria a mulher (Gn 2.18).
Este é um princípio
estabelecido por Deus, e não pode ser quebrado: um homem, e uma mulher.
Não um homem
e outro homem.
Nem uma
mulher com outra mulher.
E nem um
homem e duas mulheres.
Vou repetir
o princípio: UM HOMEM E UMA MULHER.
O casamento resulta
deste princípio, e precisa ser necessariamente, a união de um homem e uma
mulher.
Os que desejam
mudar isso estão se opondo a uma regra estabelecida pelo próprio Deus.
O casamento
é uma instituição divina.
O texto de
Gênesis nos diz que Deus trouxe a mulher ao homem, e nos dá a seguinte
explicação: “portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e
serão uma só carne” (Gn 2.24).
Nos
evangelhos, Jesus usa a expressão “e unir-se-á a sua mulher” para se referir ao
casamento (Mt 19.5; Mc 10.8).
Portanto, a
primeira união entre um homem e uma mulher, feita por Deus, também foi o
primeiro casamento.
Isto
significa que o Casamento é uma instituição criada por Deus.
O sexo
ilícito
Vamos usar
novamente o texto de Gn 2.24, e dar um foco no final deste versículo: “e
unir-se-á a sua mulher, e serão uma só carne”.
Vimos nos
parágrafos anteriores que a expressão se refere ao casamento.
Porém Paulo
usa esta mesma expressão para se referir a uma relação sexual ilícita:
Ou não sabeis que aquele que se une a uma meretriz se
torna uma carne com ela?
Porque está escrito, os dois serão uma só carne
(1 Co 6.16)
Inevitavelmente,
esta união cria uma espécie de vínculo entre um homem e uma mulher, isto é, “e serão
uma só carne”. Isto é um princípio, portanto, que se aplica tanto a casados
como a não casados.
A Bíblia
reprova o sexo fora do casamento, e se fôssemos nos deter neste assunto,
teríamos que criar um longo estudo só para falar sobre isso.
Vou apenas
citar três passagens que considero importantes, e pedir para que você medite
nelas:
Bem
aventurados os limpos de coração,
porque eles
verão a Deus
(Mt 5.8)
Venerado
seja entre vós o matrimônio e o leito sem mácula.
Quanto aos
impuros e adúlteros – Deus os julgará
(Hb 13.4)
Mas a
prostituição, e toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre
vós, como convém a santos
(Ef 5.3)
O Casamento
cria um vínculo entre o homem e a mulher
São dois em
uma só carne (Gn 2.24) e “portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem”
(Mc 10.9).
Jesus usou
este trecho de Gênesis para refutar a idéia de que uma carta de divórcio
pudesse por fim a união matrimonial.
O Senhor
deixou uma pequena ressalva para contornar um problema que sabemos que pode
ocorrer em um casamento – “a não ser por causa de infidelidade” (Mt 19.9).
Esta é uma
exeção para casos extremos, quando não há mais jeito mesmo. A regra geral,
porém, é que o casamento é uma união para toda a vida.
O Casamento
cria uma unidade entre o homem e a mulher
Já
comentamos um pouco sobre isso, acima, mas vamos olhar agora sob outra
perspectiva.
Vamos pensar
neste princípio por meio da ilustração usada em Gênesis, quando Deus retira uma
costela de Adão e forma a Mulher.
Ao lhe ser
apresentada Eva, Adão reage usando estas palavras: “esta é agora osso dos meus
ossos e carne da minha carne”.
Esta
expressão significa que Adão reconheceu em Eva uma parte essencial de seu
próprio ser. “Ela é uma parte de mim”, seria a tradução da ideia por trás destas
palavras.
O princípio
que resulta disto é que o casamento gera uma unidade entre duas pessoas. Isto é
algo muito mais radical do que o conceito geralmente aceito de que as pessoas
apenas se completam no casamento.
Da unidade,
resulta que o casal deve:
1) Falar a
mesma coisa. A palavra do casal deve ser unânime. As coisas não vão bem quando
um contraria ou desmente o que o outro diz. Inclusive com relação aos filhos,
os pais precisam ser unânimes naquilo que lhes falarem.
2) Tomar
decisões de forma conjunta. Devem se consultar, trocar idéias, e ceder muitas
vezes.
3) Se aceitar.
Naturalmente que os gostos, os estilos, e os pensamentos poderão divergir
muitas vezes. É necessário aceitação e acordo, e não imposição.
4) Buscar a
felicidade de forma conjunta. No casamento não há meio termo quando o assunto é
ser feliz. Ou ambos são felizes, ou ambos infelizes.
5) Enfim,
caminhar juntos e na mesma direção.
Paulo aplica
este princípio aos homens quando diz que “assim devem os maridos amar as suas
próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a
si mesmo” (Ef 5.28).
O Casamento
é o um núcleo familiar
Independentemente
de ter ou não filhos, um casal já forma uma família.
O casamento
é mais do que um fim em si mesmo porque une o homem e a mulher em um laço de
amor. Ele cumpre um importante propósito de Deus na criação da humanidade, que
é o amor.
Em princípio
o homem e mulher são capazes de gerar filhos, e a Bíblia diz que os filhos são
a herança do Senhor (Sl 127.3). Mas sabemos que nem todos casais tem filhos –
alguns por problema de infertilidade, e outros por outras razões.
Casamento Cristão
Há um
capítulo na Bíblia que trata deste assunto – 1º Corintios, capítulo 7 – e
estaremos tratando de alguns aspectos importantes a seguir.
1)
“Mútua benevolência” (v. 3-5). O casal não deve se abster
de ter relações sexuais. “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas
tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu
próprio corpo, mas tem-no a mulher” (v.4).
A ausência
de sexo em um casamento pode ser uma porta aberta para o inimigo. Paulo ensina
que até mesmo a privação nesta área deve ser por múto consentimento, ter um
motivo justo (oração), e mesmo assim por pouco tempo. “Ajuntai-vos depois, para
que satanás não vos tente por causa da vossa incontinência” (v. 5). As igrejas
estão cheias de caso de pessoas casadas que caíram porque um dos conjuges
queria se santificar além da conta.
2)
Um pregador fez a seguinte observação. Na igreja, ele
perguntou quem era casado. Para as pessoas que levantaram as mãos ele disse “a
Bíblia diz para você continuar assim”. Depois perguntou quem era solteiro. Aos
que levantaram as mãos ele disse “a Bíblia diz para você continuar assim”.
Bem
colocado, porque em essencia é isto que diz o versículo 27: “Estás ligado à
mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher”.
Aqui cabe
uma pequena observação. Paulo coloca as coisas mais como uma permissão, do que
como um mandamento. Ele prefere que os solteiros permaneçam como ele para serem
poupados de tribulações (v. 28), e explica que quem se casa, não está pecando,
e quem não se casa, também não está pecando.
Outros
princípios do casamento cristão são explorados em trechos de outras epístolas.
3)
“Jugo
desigual”. Um(a) crente em Cristo não deve se casar com um(a)
descrente:
“Não vos
prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça
com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2Cr 6.14).
4)
“Sujeição”.
As mulheres devem se sujeitar aos seus maridos como ao Senhor (Ef 5.22).
5)
“Amor”. Os maridos devem amar suas mulheres como Cristo
amou a sua Igreja (Ef 5.25).
6)
“Fidelidade” (Hb 13.4). A
infidelidade chama-se adultério, e fizemos um comentário sobre isso alguns
parágrafos acima.
Relação entre Pais e Filhos
“Vós,
filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a
teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá
bem, e sejas de longa vida sobre a terra. Vós, pais, não provoqueis a ira a vossos
filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor” (Ef 6.1-4).
Vamos seguir a mesma sequencia que
Paulo usou para tratar este assunto, e começar pela relação “filhos-pais”.
A primeira recomendação é “vós, filhos,
sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo”.
Paulo se dirige primeiramente aos
filhos e lhes fala acerca da “obediência” devida aos seus pais. Este é um
ensino da qual o mundo parece estar cada vez mais distante, e, infelizmente,
muitos crentes também.
A palavra “obediência” nem sempre soa
bem aos nossos ouvidos, porque implica em submeter-se a uma autoridade
superior, e a fazer, muitas vezes, aquilo que não queremos.
A obediência tem realmente um lado
difícil, porque limita a nossa vontade, a nossa liberdade, e muitas vezes, o
nosso conforto. Mas tem um lado bom também, como iremos explicar a seguir.
A obediência é necessária para
estabelecer a ordem e a autoridade, sem as quais nada funciona, nem mesmo uma
família.
A primeira dose de obediência que
recebemos é a que vem dos nossos pais, e nos prepara para a vida futura, quando
estaremos sempre debaixo de alguma autoridade e sempre precisando obedecer
alguém de alguma forma: aos professores na sala de aula; às autoridades civis
do país; aqueles que são nossos superiores imediatos no trabalho; aos pastores
na Casa de Deus; e, sobretudo, a Palavra de Deus.
A obediência também produz em nós um
efeito positivo, porque molda o nosso caráter. Nos torna mais humildes. Faz com
que sejamos pessoas mais acessíveis, menos arrogantes, e mais tratáveis, por
assim dizer.
Ocasionalmente temos que lidar com
pessoas “difíceis”, isto é, pessoas que se ofendem por qualquer coisa, e com as
quais precisamos escolher cada palavra e o tom da voz cada vez que nos
aproximamos delas.
São pessoas com sérios problemas nesta
área; ou porque seus pais negligenciaram o uso de autoridade, ou porque desde a
infância “aprenderam” a desafiá-los e desobedecê-los.
Aqui, porém, há uma questão importante:
os filhos devem obedecer a seus pais em
tudo? A obediência deve ser cega?
Afinal de contas há pais que mandam que os filhos façam coisas erradas.
A resposta a esta questão está no
próprio texto que citamos – "sede obedientes a vossos pais no Senhor".
Este mandamento se torna mais difícil
quando os pais não são crentes, ou são crentes, mas não são convertidos, e
criam situações que causam conflito com os valores espirituais de um jovem que
deseja servir ao Senhor.
Já conheci pessoas que se diziam
crentes e que ensinavam os filhos a arte da mentira e do engano.
O que Paulo ensina aos filhos é que
eles devem obedecer aos pais no Senhor,
nada menos, e nada mais que isso.
Apesar de toda a obediência que os
filhos devem aos pais, a obediência a Deus vem em primeiro lugar, já que Deus
está acima de qualquer outra autoridade.
Mas vamos entender que estes são casos
extremos, que acontecem quando uma ordem de um pai ou mãe contraria a Palavra
de Deus. São exceções, portanto. A regra básica continua sendo a “obediência”.
Levando-se em conta que muitos jovens cristãos
moram com seus pais descrentes, e, que, algumas vezes a vontade de seus pais
seja claramente contrária à vontade de Deus, gostaria de apontar uma passagem bíblica
que pode lhes ajudar bastante.
Se encontra em Daniel 1.8-16. Daniel e
seus amigos agem com sabedoria e humildade, e conseguem o favor do chefe dos
eunucos para não se contaminarem com a porção de alimentos determinada pelo
Rei.
Se algumas vezes se tornar difícil ou
pesarosa a obediência, por se tratar de algo contrário as Escrituras, então peça
graça e sabedoria em oração, porque Deus sempre tem uma porta de escape para situações
como estas.
Paulo prossegue com uma argumentação
que ele, como judeu, deve ter ouvido muito em sua infância: “Honra a teu pai e
a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa”.
A palavra “honrar” engloba “obedecer”,
porém seu sentido é muito mais amplo.
Honrar implica em pagar ou tributar a
alguém algo que lhe é devido. Honramos as pessoas que consideramos dignas, e em
geral honramos as pessoas que estão acima de nós.
Na Bíblia este verbo é usado em relação
a pessoas que estão revestidas de dignidade em virtude do que são, ou por causa
de sua posição: reis, sacerdotes, profetas, etc... Mas este verbo se aplica
também a Deus.
Ninguém merece mais honra do que o
próprio Deus.
Nos tempos antigos a “honra” era feita
de várias formas. Quando se tratava de um rei, por exemplo, geralmente se
faziam as honrarias por meio de coisas de valor, como presentes ou dinheiro. Os
magos do oriente honraram o recém-nascido Rei dos judeus com ouro, incenso e
mirra.
Portanto, quando a Bíblia diz “honra a
teu pai e a tua mãe” ela está nos ordenando a colocar os nossos pais em um alto
lugar de estima e dignidade.
O fato de Paulo ter citado este
mandamento como fundamentação da obediência significa que os filhos que
obedecem seus pais estão honrando-os, e os que não obedecem estão
desonrando-os.
Somos lembrados também de que este “é o
primeiro mandamento com promessa”.
Nem todos os mandamentos, quando
tratados individualmente, possuem promessas. Este tem: promessa de uma vida
melhor e mais longa.
É maravilhoso ver como Deus
providenciou na sua Lei um mandamento que tinha como alvo tornar o ambiente
familiar o melhor possível para todos; seja no presente, por meio dos filhos
honrando e obedecendo seus pais; seja no futuro, por meio de promessas.
Após ter falado sobre a relação “filhos-pais”,
Paulo fala da relação “pais-filhos”: “e vós, pais, não provoqueis à ira a vossos
filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4).
Paulo tinha em mente pais cristãos. No
Antigo Testamento há diversas passagens que dizem que os pais devem criar os
filhos no Caminho e no temor do Senhor (Gn 18.18; Pv 14.26), que Paulo chama de
“doutrina” nesta passagem.
O interessante, porém, é que ele
acrescenta algo antes da doutrina: “não provoqueis à ira a vossos filhos”.
Se para os filhos Paulo ensina a
obediência, que nada mais é do que a submissão a uma autoridade; aos pais, ele
ensina a não usar a autoridade erroneamente, isto é, de forma abusiva.
Acho que quando Paulo diz “não
provoqueis à ira a vossos filhos” ele também está falando por experiência
pessoal, digo, ou por algo que ele passou na infância, ou algo que ele
presenciou em algum lar de conhecidos.
Toda educação e disciplina dentro de
uma casa deve ser dosada com amor e compreensão. A ausência de disciplina causa
descaso aos valores espirituais na pessoa, mas uma disciplina muito rígida ou
abusiva causa repúdio e ódio a estes mesmos valores.
Há pessoas que foram criados em lares
cristãos, e que hoje são completamente ateus: odeiam os crentes; odeiam a Bíblia;
e mais que tudo, odeiam o próprio Deus.
Como você acha que eles chegaram a este
ponto?
O melhor exemplo de educação paterna
temos no próprio Deus.
Ele nos repreende e castiga quando
pecamos, mas nos perdoa e não se lembra mais do nosso pecado quando nos
arrependemos e confessamos.
Deus não fica o tempo todo a nos
corrigir. Na verdade, e mais do que qualquer outra coisa, Ele está sempre nos fortalecendo
com palavras de ânimo.
Deus é um pai que nos ouve sempre que
falamos com Ele, com toda paciência, e toma nota de cada palavra, mesmo das que
já nos esquecemos.
Ele é um pai que fala conosco de
diversas formas, e fala sempre o que precisamos ouvir. O fato é que Deus nunca
nos põe para baixo, e nem nos deixa sem esperança.
É desta forma que deveríamos ensinar os
nossos filhos.
As experiências que os pais passarem
aos filhos na infância, sejam positivas ou negativas, ficarão presentes até o
final de suas vidas. Só como exemplo: nos lembramos com muito mais facilidade
dos nomes dos nossos amigos de infância do que de outras pessoas com as quais
nos relacionamos na fase adulta.
As marcas da infância são as que ficam,
e infelizmente, nem todas são boas.
Educar é uma grande e árdua missão, e
os pais que tem filhos adolescentes sabem isso mais do que ninguém.
Quando educamos estamos apontando o
caminho que achamos ser melhor para os filhos; e estamos conduzindo-os porque
eles dependem totalmente de nós neste momento.
Mas sabemos que os pais, mesmo crentes,
são pessoas que erram. Desejam fazer o melhor, mas muitas vezes falham e acabam
fazendo o pior.
Por vezes deixam passar, quando
deveriam disciplinar, e em outros momentos disciplinam com muito rigor, quando
somente uma pequena advertência bastaria. Não é fácil.
Paulo prossegue dizendo “criai-os na
doutrina e admoestação do Senhor”.
A palavra “doutrina” vem de uma palavra
grega que tem o sentido de “educação”. Criar alguém na doutrina do Senhor é
educa-lo segundo os valores que nos ensinam a Bíblia, como verdade, amor,
honestidade, pureza, santidade, humildade, fidelidade, etc..
A Bíblia deve ter um lugar especial na
educação dos filhos. Nenhum outro livro no mundo possui valores tão elevados
quanto a Palavra do nosso Deus.
Deixe-me aproveitar o momento para
fazer este apelo: pais, ensinem os seus filhos e orar e a ler a Bíblia.
Aos filhos, Paulo ensina-os a obedecer
aos pais no Senhor; e aos pais, ele
ensina a criar os filhos na doutrina e admoestação do Senhor.
Deveríamos meditar nesta expressão, “doutrina
e admoestação do Senhor”, com um enorme senso de dependência. Afinal Paulo não está falando de uma educação
qualquer, ou mesmo humana no melhor sentido que existe, mas de algo divino –
uma educação "do Senhor".
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