Quando lemos os evangelhos percebemos que há um linha básica de pensamento que define a mensagem que Jesus pregou. É verdade que Jesus aborda vários temas como perdão, vida eterna, renúncia e humildade; mas sua mensagem não se encontra centrada nestas coisas, por mais importantes que sejam. Estes e os outros ensinos de Jesus são os ingredientes de algo maior e mais importante, algo para o qual Deus nos chamou para fazer parte também, e que se chama "Reino de Deus".
O Reino definiu a linha de pensamento que Jesus usou para construir sua mensagem nos evangelhos. As expressões "reino de Deus" e "reino dos céus" se repetem cerca de 81 vezes nos evangelhos, e fazem parte de quase todos os ensinos de Jesus.
Jesus inicia seu ministério público pregando a chegada do Reino de Deus (Mateus 4.17; Marcos 1.14,15); ensina o povo por meio de parábolas que falam do "mistério do reino"; e até mesmo após ressuscitar dos mortos o vemos falar com entusiasmo acerca do reino de Deus com os seus discípulos (Atos 1.3).
Mateus, cujo evangelho é mais próximo culturalmente dos judeus, prefere usar a expressão "reino dos céus" ao invés de "reino de Deus". A razão por traz disso é que os judeus evitavam pronunciar o nome de Deus. No entanto, porque as expressões "reino dos céus" e "reino de Deus" são equivalentes, e porque a segunda é mais usada nos outros evangelhos, também preferimos usa-la nestes estudos.
O Reino de Deus nos é apresentado de forma variada nos evangelhos. Por vezes é ressaltado seu aspecto escatológico, isto é, futuro, quando, por ocasião da vinda de Jesus, for estabelecido neste mundo; outras vezes é nos apresentado como uma realidade presente, já operando em nossas vidas.
As parábolas do Reino nos ajudam a compreender suas variantes, como por exemplo, crescimento, abrangência e tempo.
Crescimento:
O reino de Deus é semelhante a um grão de mostarda (a palavra) que um homem (Jesus) plantou em seu campo (o mundo) e embora seja a menor dentre as sementes (desprezada a princípio), cresce e se torna a maior das hortaliças (o maior de todos os reinos da terra).
Abrangência:
De modo que as aves dos céus (povos) vêm fazer ninhos em seus ramos (no reino).
(Mateus 13.31-32)
Tempo:
Deixem que cresçam juntos até a colheita (fim desta era).
(Parábola do joio e do trigo - Mateus 13.30)
Nelas é acrescentado ainda um elemento de mistério, indicando que uma parte do reino é sobrenatural e incompreensível. Assim, “o Reino de Deus é como se um homem lançasse semente a terra, ... e a semente brotasse e crescesse não sabendo ele como”.
Em vista da pluralidade de elementos que envolvem o entendimento do Reino, sua conceituação tornou-se um dos pontos mais difíceis no ramo da Teologia do Novo Testamento. Em uma passagem, o Reino é algo visível, em outra, invisível; às vezes é presente, e às vezes, futuro.
Para facilitar as coisas, vamos dar uma dica bem simples que irá ajudar o leitor a formar um conceito correto acerca do que se trata este Reino: entenda que o Reino de Deus, e o seu Rei, que é Jesus, estão tão unidos que é impossível falar de um sem falar do outro.
Jesus proclamou a chegada do Reino porque Ele, Jesus, se fazia presente. Pelo mesmo motivo um dia Jesus virá a este mundo visível, e o seu Reino se tornará visível; Ele virá em glória, e o seu reino será em glória.
Da mesma forma, em suas parábolas do Reino, Ele é o personagem principal: na parábola do semeador, Jesus é o semeador; na parábola do joio e do trigo, Jesus é o Senhor da ceifa; na parábola das dez virgens, Jesus é o noivo; e assim por diante.
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